Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Nesse período de férias



Notícias de última hora. As férias nos deixam com um tempo absurdo, mesmo em final de faculdade.

Ontem, conheci papai noel. Sem roupa vermelha, sem capuz nem saco de brinquedos. Eu estava vendo os preços impagáveis de um ar condicionado quando o bom velhinho chega à procura de emprego:
- Vocês vão contratar papai noel nesse final de ano?
Ah, bom velhinho, então era você.

E, no ônibus, conheci o casal mais lindo que já vi em toda a minha vida. Uma mulher cega e um senhor, com mais idade que ela. Ficavam o tempo todo abraçados e, nos olhos daquele senhor, transbordava o amor. E a desgraçada mal amada da cobradora do ônibus rindo dos dois.

Mal comida! Invejosa!

Essas férias sem viagem, essas férias para TCC, ainda me deixam dar uma passadinha no dentista!

Bom dia.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Um minuto de silêncio para todos os jornalistas

Hoje, transformo minha alegria em luto! A morte não foi súbita, mas não deixou de ser dolorosa.
Quer saber? Quero mais é que essa população se aliene.
De agora em diante, só sabem nos olhar e dizer que não lutamos.
Muito mais que vocês, somos idealistas. E a causa é sempre boa e era por vocês. Lutamos sim!
Agora, que se alienem. Que comam nas mãos daqueles que elegeram!
Agradecemos a ajuda pelo nosso diploma. Agradecemos o apoio. Agradecemos pela ajuda de todos vocês. Aliás, não se mostra os dentes ao parente do morto. E se fosse o seu? Ao contrário, nós estaríamos lutando com vocês.
Que se alienem.
Que a imprensa de amanhã ensine seus filhos a escrever errado. Que lhes mostre o que não é a ética, o respeito. Que lhes dê toda a parcialidade do mundo.
Porque tínhamos estudado por respeito a vocês!
Quer saber? Sejam políticos, assim como eles. Sejam empresários. Sejam felizes já que, agora, conseguiram nos enfraquecer.
Mas quer saber? Um idealista nunca deixa seus sonhos no meio do caminho!

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Outro dia, perguntaram-me...

O que mais marcou a sua infância?

- Ah, poderiam ser todos os riachos escondidos, ou as abelhas cutucadas. Poderiam ser as amizades da casinha no fundo do quintal. Poderiam ser as conversas com as árvores. Ou os programas da TV Cultura. Será os discos ouvidos na casa da vovó? Ou as frutas colhidas no bosque. As brincadeiras de rua, riscada de giz. Mas o que marca a infância é a infância, que ficamos na lembrança sempre que vemos uma criança caindo de uma bicicleta e assoprando o mentiolate do ralado. O que mais marcou ainda vivo: a felicidade de ser o que era, com os mesmos inocentes e poderosos princípios.

Quarta-feira, Maio 06, 2009

vamos comemorar por aí, qualquer coisa assim como mais um dia..

um pó na televisão,
ou uns papéis jogados,

um trabalho que olhamos de canto e o recusamos por algum tempo,

comemorar o não fazer, quando se tem que fazer!

ah, vamos comemorar os que nos olham sem querer olhar
os que nos percebem
os que gostaríamos que nunca mais nos olhassem

comemorar a anotação de três semanas sem cumprir
o sono dormido a mais, sem pensar nas promessas

vamos comemorar esse dia sem alegrias, sem surpresas
comemorar a rotina,
vamos comemorar o sol, a caneta perdida, o café amargo

se tiver uma bolsa nova, podemos comemorá-la

qualquer motivo é motivo, sem explicações

nem vamos questionar os sorrisos
e tampouco as lágrimas

apenas a contemplação de um mundo
e qualquer mundo

até no seu imaginário, se assim lhe for mais conveniente, preciso e bonito!

Convido-lhe para um almoço, sem lugar nem data nem momento especial.

Quarta-feira, Março 18, 2009

e
em se falando em mídia
há um leve sussurrar de controvérsias entre passar informação
e instigar ao ato

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

aos frescos ares que hão de ventar*

às vezes as coisas se tornam claras
como as tardes de antes
serenas dos outonos
quando caminhava nos trilhos
com o vento de frente
sem pensar que era tarde
para ser o que quisera ser

distante, o horizonte
se apresenta pleno
as nuvens se amontoam
e o sol se esconde
e lá, na linha infinita
tudo é tranquilo
sem pesares
meus sonhos flutuam

embalo na dança
dos capins crescidos
cardume em terra seca
vontades destemidas
de ultrapassar
os territórios

teu nome ainda intocado
o beijo ainda não roubado
e o tempo inclinado
para o oeste
e para sempre

de Rodrigo Cupelli


*o título do post não é o título do poema

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Em uma vida de couro marrom

Era o terceiro cigarro da noite e o último ainda melhor. Entre um dia e outro, entre uma vida e outra, fumava para espantar a solidão que a fazia temer e tremer de calafrios às 2h da manhã. Era a companhia que não tinha. O cigarro a fazia entender que não se fazer nada é também contemplação. É sentir sem ficar triste. Sentada em uma poltrona na varanda, de frente com a lua e aquele céu azul oceano. A estrela mais brilhante não estava lá, como muitas outras estrelas e pessoas também não estavam. Sem um nome específico, apenas ninguém (ou alguém). E era o momento onde poderia tentar de tudo, até suicídio – se isso passasse pela cabeça. Decidiu fazer círculos de fumaça com o gosto do cravo que adocicava a boca. E, ao pensar apenas na perfeição das auréolas, ela se sentiu meditando. A nicotina veio em sua cabeça como uma droga que dopa e enxuga os vestígios de lágrimas que ousavam se formar em abundância. Agora, vê a fumaça saindo de sua boca e só.
Mas o transe se esvai quando um pequeno animal desce pela parede. A menina demora a entender o que deveria ser feito. A doce ilusão do não viver acabou e ela mata a barata.
Era uma das primeiras vezes que não saía desesperada gritando pelo nojo. A solidão faz isso com as pessoas (se não eu, quem?). A fumaça, a auréola, a lua e o não pensamento: o que um acontecimento inusitado não estraga?
Mas foi intenso enquanto durou, assim como tudo na vida dela – das duas.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

- Tudo aquilo que vimos lá fora, dizem que é Deus. Que toda aquela presença é ele. Mas não acredito nisso. Deus, para mim, é um paradigma. É algo que aprendi a acreditar, mastiguei, mas, por medo, não ouso quebrar. Deus, pra mim, é a noite que entra, nebulosa, que traz meus desejos mais incontidos. Dono dos meus segredos, os nunca contados. Deus é minha ânsia de proteção aos que eu amo. Deus é a desculpa para o que se faz de errado. É a fuga para quem não tem força. É o não saber. Eu só acredito em Deus quando vou dormir e porque virou um hábito. Nenhuma daquelas crianças felizes que vimos sustentam a vida delas em alguma força. Elas apenas são. Não buscam: são!

Quando morri, encontrei o estranho na porta do céu. Entre nuvens e palavras mal ditas, zombou de minha ignorância:
- Desce!

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

E quando poderei usar os sapatos de minha vó, jogados e enlatados na estante. Vermelhos e inseguros, eles se deparam com o quase cair. Ninguém os tira, nem o pó!
Do pó tudo vem e vai. E, ao pó, ele se esvai antes da hora: quando eu os poderia calçar, visto que meus pés entrassem pra valer.

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Rabiscos


E é nesse rascunho de papel em branco que tento me soltar. E é nele que as palavras se vão, se perdem na lixeira embaixo da mesa. Um rascunho onde tudo poderia acontecer. Toda sombra, todo cavaleiro a lutar com seu dragão, toda nuvem, toda queixa, toda expectativa do mundo. E é disso que o lixo transborda. Minha pequena lixeira de sonhos. Um dia, minha mente há de transbordar o papel, percorrer a mesa inteira, meu corpo e minha alma, e há de chegar em você. Quem sabe, talvez.